A instituição do chamado ciclo completo nas instituições de segurança pública não é realizada devido às disputas por poder entre as polícias militar e civil. Essa é opinião do presidente da Associação dos Bombeiros do Rio Grande do Norte (ABM-RN), Dalchem Viana, apresentada no painel do 13º Enerp sobre o tema. “A disputa não é por mais trabalho, mas por mais poder, e não tem nada a ver com o interesse público”, disse, apesar de defender esse dispositivo como uma ferramenta que qualifica a segurança pública.

Atualmente, o modelo dualista de segurança, com duas meias polícias, segundo Dalchem, está provado que não atende as necessidades da sociedade brasileira. E mais do que isso, a própria sociedade não distingue as duas polícias e nem as divisões internas dentro de cada corporação, como os subgrupos de praças e oficiais.

Para ele, o ciclo completo e a carreira única viabiliza todas as reformas estruturantes da segurança pública. “As pesquisas mostram que a maioria da categoria quer isso, mas as cúpulas são conservadores e não permitem”, explicou.

Já coronel da reserva Robson Rodrigues da Silva, ex-coordenador geral das UPPs da PM do Rio de Janeiro, defendeu a modernização da gestão e um debate franco sobre os benefícios e problemas da adoção do ciclo completo. “É preciso uma negociação, em que todos vão ter que abrir mão de alguma coisa”, refletiu.

Com sua experiência nas UPPs, ele entendeu que as polícias precisavam ser reformuladas para angariar o capital de legitimidade e confiança. “É preciso tirar da zona do conforto – oficiais e praças.” O coronel é autor de um projeto de formação unificada nas instituições. “Essa pasteurização das polícias começam desde os primeiros anos de formação”, explicou.

Mediador do debate, o presidente da Associação de Subtenente e Sargentos do Rio Grande do Norte e diretor da Anaspra, Eliabe Marques da Silva, afirmou que pareceres jurídicos consideram a carreira única constitucional. Ele citou a nota técnica do jurista Lenio Streck. “Essa medida deveria ser adotada como política de Estado, pois é garantia de uma segurança pública melhor e de cidadania para os militares estaduais”, defendeu.

13º Enerp - Painel: Acesso único nas instituições

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